Viveiro, 15/03/2013, hoje brincamos João e Miris, Julie e Dani!

 

Olá a todos!

Aqui é a Julie! Peço a licença pra o espaço de postar os relatos pra postar o que foi um relato emocional decorrente do que senti hoje durante nosso dia com as crianças.
Eu comecei a sentir o que senti porque a idéia do nosso viveiro é ser um momento de vivência e aprendizados com as crianças. Pois preciso dizer que hoje o dia do nosso viveiro foi pra mim um dia muito difícil.
Percebo que não estou vivendo as coisas que gostaria de estar ensinando para as crianças. Percebo que eu mesma não sei viver da forma como gostaria de estar ensinando para as crianças. Percebo uma coisa: nossos hábitos não são sustentáveis. Pouco mudou sairmos do Rio de Janeiro, comprarmos alguns alimentos locais sem venenos para a nossa dieta, compostarmos nossas cascas de alimentos; ainda não plantamos nossa subsistência nem mesmo qualquer fração dela.
Percebo: não trabalho concretamente pela transformação da relação da nossa cultura consigo mesma e com o ecossistema. Enquanto eu escrevo há donos de terras aqui na região, agricultores, envenenando áreas de nascentes e leitos de rios, envenenando mais e mais, a cada dia mais, ao seio da vida, sem falar nos alimentos que vão ser consumidos por milhares de pessoas. Ninguém sabe como sair dessa situação. Ninguém gosta de saber que está comendo alimentos envenenados, ninguém gosta de saber que está envenenando a vida nem vendendo alimentos envenenados para outros comerem, mas ninguém sabe de fato como sair dessa situação e nada resta senão resignar-se. Arre égua. ARRE ÉGUA!

Acho que não tem outra coisa que eu deveria estar aprendendo e ensinando pra as crianças — porque a gente só vai poder ensinar aprendendo mesmo, porque nós mesmos ainda não sabemos — e é a viabilizar uma vida não envenenada.
Hoje aqui a gente compra praticamente a totalidade de nossos vegetais frescos de uma única produtora que alegadamente produz sem usar venenos aqui na Boa Esperança, perto de Lumiar, restringimo-nos basicamente à diversidade do que ela planta e oferece, o que é até um certo cado, mas bastante inferior à super diversidade que costuma constar nos supermercados. Nos parece evidente: melhor não comer um alimento envenenado a comê-lo, ficamos com a diversidade que conseguirmos, desde que puro. Agora, não posso falar dos grãos, que são a parte da nossa alimentação que vem dos mercados, aquela da qual majoritariamente constituímos nossa dieta e que é produzida de forma envenenada. É preciso termos mais dimensão sobre tudo isso. Esses petroquímicos que vêm alçando a fortuna das companhias da agroquímica derrotam nosso sistema vivo, resultam em toda a sorte de doenças, sem falar da DEPRESSÃO. Não se toca tanto nesse assunto. Esse mal endêmico na nossa sociedade hoje, que, da forma mais tragicômica ou aterradora, vem alimentar à outra ponta da mesma indústria química pelo meio das toneladas de psicofármacos que são tomadas diariamente por milhares e milhares de pessoas, ninguém ressalta: agrotóxicos causam depressão. É claro que causam depressão, depreciam a totalidade de nossas funções fisiológicas e ecossistêmicas, como esperar que um organismo diariamente combalido e intoxicado possa estar em pleno cargo de suas faculdades psíquicas e emocionais? Que dizer da emergência atestada de uma massa contínua de suicídios entre agricultores em várias regiões do planeta sincronizada com a adoção do modelo de produção agroquímico? É tudo biocida, todo o modelo: os tóxicos empregados, a relação com a terra que deixou há muito de ser a reverência, a filiação, o honramento e o respeito, a gratidão, e o trabalho devotado e passou a ser uma relação de expoliação, de exaurimento, de dívida, de estupro, de violação, de violência. As companhias da agroindústria estupram os agricultores que estupram a terra e a vida e o alimento que dispõe-se nos mercados é desse estupro filho. E intoxicado. E dele nos constituímos. É depressivo. É depressivo conhecer um pouco mais de casos de agricultores e outros residentes de áreas rurais completamente intoxicados, alguns até o falecimento, outros até a perda de suas funções mentais ou fisiológicas, ou até a perda de órgãos, ou a perda de sua sanidade e felicidade. É depressivo saber que essa situação se verifica e que seguimos perpetuando o mesmo modelo de cultivo, e que a população segue se alimentando de produtos envenenados e que seguimos diariamente envenenando cada vez mais o solo e o sistema vivo. A produção não pára. Desde que esse modelo produtivo se instaurou e já fazem décadas, a cada dia a produção não pára e o acúmulo de toxicidade que hoje se verifica sobre os solos e disperso no sistema vivo não pára de crescer. Em nome de um sistema produtivo sustentor de um hábito alimentar completamente insustentável, desenvolveram essas singelas companhias químicas uma habilidade de extrair do óleo pétrio há milênios e milênios alquimizado pela litosfera componentes biocidas que acharam de empregar para exterminação dos pequenos animais, plantas e fungos, designados pelo desenho cósmico para participar no alimento conosco. Do hábito insustentável, do excesso alimentar humano, o sistema vivo trata de cuidar e designa aos pequenos seres da natureza que controlem a quantidade de tais espécimes de plantas, de forma a compor o equilíbrio do macro-sistema. A soberba humana entende esses pequenos sentinelas por “pragas” e desenvolve venenos para exterminá-los de seus caminhos, pois faz da superfície do planeta o que bem entender. E agora padece da doença. A doença decorre das implicações de nosso mau hábito, exagero, mau arranjo sócio-urbano, encobrimento do solo vivo, abandono do hábito do cultivo por cada cidadão que tem boca para comer. Decorre de nossa ignorância do pertencimento nosso nesse fabuloso arranjo vivo, nosso encaixe e papel. Daí decorre a doença e padecemos. O que quero e preciso ensinar para nossos filhos não é a perder tempo sentados em gavetas aprendendo a repetir e repetir erros. Preciso aprender junto com eles e fazer do hábito ensinamento vivo a como organizar um processo de vida sustentável, honrado, feliz porque existencialmente digno, integrado. É o que percebo: precisamos nos organizar para trabalhar por esse renascimento, o que faço ainda é muito pouco e urge hora de radicalizar. Ir às raízes, incorporar mesmo uma vivência eco-integrada. Hoje o que conto do nosso viveiro são essas reflexões. Desejo aprender para ensinar os hábitos de uma vida realmente integrada.

 

 

Viveiro – 22 de fevereiro de 2013

Casulo da Vovó — Rosana e Lucas

Crianças: João e Miris

trenzinhoJoão e Miris se divertiram muito com um trenzinho. Primeiro, o João sentou no trem e a Miris puxou pela corda; depois, a Miris sentou e o João empurrou. Deram voltas pela casa até cansar.

Passeamos até a casa do Itamar pra comprar aipim pro almoço. Durante o caminho, eles resolveram dar as mãos, e foram assim por um bom tempo!

Chegando lá, subimos com o Itamar até a plantação pra ele tirar o aipim, e depois entramos na casa pra conversar. A Miris bebeu um copão d’água, e entornou um pouquinho no chão. Pedimos um pano de chão e ela secou sozinha, toda feliz. Aí guardamos o pano, e ela começa a pedir “ágo!” de novo. Conhecendo a figura, percebi que ela só queria mais um copo d’água pra entornar no chão e secar de novo!

Colhemos alguns jambus e beldroegas pelo caminho, e couves.e almeirão na horta.

O almoço foi aipim, feijão e um refogado dessas plantas.

Depois do almoço, brincamos com os brinquedos da sala até o fim do viveiro. Eles gostaram principalmente do cubo de encaixar peças. A Miris já está mais sabida desse cubo, porque brinca sempre, então ela mostrou pro João onde encaixa cada peça de formato diferente.

Viveiro – 15 de fevereiro de 2013

Croatã — Luar e Lucas

Crianças: Amora, João, Miris e Apoena

João chegou por volta das 10h. A Amora e a Apoena (que está passando uns dias aqui na Benfica) chegaram um pouquinho depois.

A cada viveiro batendo seu recorde de menos choro quando a mãe vai embora, o João dessa vez não derramou uma lágrima!

A Sabrina, vizinha, também ficou por um tempo brincando com as crianças.

Brincaram com os livros e com os brinquedos. Ficaram bastante tempo na água.

Certa hora, brincamos juntos com a torre de montar. Distribuí as pecinhas entre eles;  cada um deveria encaixar uma pecinha e passar a torre pro próximo. Todo viveiro tentamos brincar juntos com esse brinquedo, mas eles sempre relutam muito em passar pra frente. O João e a Amora passaram tranquilamente, mas a Miris foi mais difícil. Depois de muitas tentativas, pela primeira vez, a Miris passou a torre pro João por conta própria!

O almoço foi: arroz, feijão, couve, taioba e uma experiência com biju (tapioca)  e açafrão. A experiência não fez muito sucesso, mas todas as crianças comeram bastante.

Depois do almoço, assistimos Ponyo juntos. É muito legal ver as crianças que já assistiram algumas vezes cada vez notarem mais detalhes da trama e dos personagens. Como ele é em legendado, nós contamos a história da nossa maneira.

Viveiro – 31 de janeiro de 2013

Lua cheia

Amora, João e Miris, sob os cuidados de Lulus.

O primeiro a chegar foi o João, que dessa vez nem percebeu o papai Dani saindo. Tava concentrado comendo banana com canela e mel e também com um jogo de encaixar o furo das peças de madeira na haste. As crianças têm gostado bastante desse brinquedo e o desafio é conseguir que compartilhem e esperem cada uma a sua vez de encaixar.

Pra começar bem o dia, nos alongamos. Estica o bracinho aqui, estica a perna ali, abaixa e levanta e abaixa e levanta e pula! Logo todos estávamos prontos pra capoeira!

Colocamos pra tocar umas músicas e começamos o jogo. A Miris gosta mais de gingar, o João prefere batucar e foi muito bacana até resolvermos fotografar. Se não forem feitas com sutileza, as fotos acabam atrapalhando a dinâmica e interrompendo um momento gostoso. Daí que decidimos ser mais cautelosos e atentos pra esse fato.

Desligamos o som e fizemos a nossa própria banda. Flautas, tambor, panelas, valia de tudo, menos batucar na cabeça do amigo! Todo mundo gostou!

Foi quando chegou a Amora e já era hora de fazermos um lanche, então catamos umas frutas no mato, mexerica, laranja e carambola, picamos e arrumamos em forma de mandala num prato. Apesar de estar bem bonito, o João não quis, está numa fase de recusar alguns alimentos…

Não dava pra sair por causa da chuva, então brincamos mais um pouco com as pecinhas, lemos, todos interagiram bem. Hora do almoço. Cada um com um prato e uma colher, sentados em almofadas ao redor da mesa baixinha. O João só queria saber dos pães de quê, a Amora só queria farofa com couve e quiabo e a Miris só queria feijão. Então experimentamos amassar o feijão na farofa e fazer bolinhos, foi um sucesso, até o João comeu!

À tarde abriu um sol, fomos brincar no jardim e a ocasião era perfeita pra… tentarem uma fuga! O João montado na clave de malabares, a Amora forçando o portão e a Miris passando pela frestinha! Quase não conseguimos segurar a quadrilha! Depois de muito correr, nada melhor que um banho na ducha, né? Foi tranquilo, souberam compartilhar a banheira, a água e os potinhos numa boa…

Aproveitamos a bagunça molhada pra fazer juntos um suco de carambolas! Catamos, lavamos e esprememos com socadores numa panela. Depois coamos e foi uma deliciosa surpresa quando todos sentarem na esteira pra beber o néctar. Perguntávamos: “de que que é o suco?” , eles respondiam “tabóia”, “boia”; “quem fez o suco?”, “neném”!

Não me lembro de os ver beber com tanto gosto como dessa vez em que participaram do feitio!
Café da manhã: Bananas do John amassadas com canela e mel do Water

Lanche: Frutas do quintal – mexerica, carambola e laranja

Amorço: Feijão da Rosângela temperado com louro, pimentão do quintal, couve do quintal e nirá da Fátima; farofa de mandioca com quiabo do Arnaldo e couve da horta; pão de quê (de arroz, pimenta do quintal, cebola, abobrinha e salsa da horta)

Lanche: suco de carambolas

Viveiro – 11 de janeiro de 2013

Lua Nova

Lulus cuidando de Amora, João, Maitê e Miris

=)

Hoje o dia tava chuvoso, brincamos dentro de casa. A primeira a chegar foi a Amora, que veio na noite de ontem e dormiu do nosso ladinho. Aliás, era a primeira vez dela com a gente no viveiro e foi bastante tranquilo, apesar de sentirmos que de três pra quatro bebês aumentou bastante a dificuldade, por exigirem total atenção!

O João chegou na hora do néctar de carambola e da salada de frutas, mas já tinha tomado seu lanche e não quis nada. Parecia mais preocupado em não deixar mamãe Julie escapar por nenhuma porta ou janela, mas ela lhe explicou calmamente que iria deixá-lo por alguns minutos e voltaria pra buscá-lo mais tarde. Pra alegria de todos, o chororô não durou mais do que 2 minutos: ele logo encontrou os livros, as peças de encaixar e ficou feliz pra sempre =)

Depois chegou a Maitê e também passou o dia brincando numa boa. Os livros foram os preferidos da molecada. Ler e contar histórias foi uma das poucas atividades que conseguiu cativar o interesse dos quatro ao mesmo tempo! As outras foram assistir um trecho de Ponyo, a peixe que vira menina e, que bom!, o amorço.

Pusemos a mesa baixinha no centro da sala e uma almofada de cada lado, onde os pequenos se sentaram. Cada qual com a sua colher, cutucando os três pratinhos: um de abobrinha com carambola e salsinha, um de feijão fradinho e um de pão de aipim.

Todos comeram bem, cada um a seu gosto: Amora abriu o maior bocão pra tudo; João e Mimi preferiram os feijões e o pão, mas aceitaram também um pouco de abobrinha; Tetê comeu um teco de cada, mas preferiu as carambolas e o pão.

Depois tentamos uma soneca no quato fofo. Fechamos as janelas e entoamos uma música de ninar inventada na hora, mas parece que o efeito surtiu contrário, porque a Tetê ficou animadona e em vez de cochilar, ela levantou e começou a dançar! Todos seguiram o exemplo e os Lulus desistiram da empreitada. Voltamos aos livros e às historinhas inventadas.

Também brincamos de pinhóim, cavalinho, bolinhas de açaí, experimentamos chapéus, tocamos teclado, fizemos teatrinho de bonecos, até a Tetê se assustar com a Bruxa Cutucadora de Orelhas e começar a chorar e chamar “mamaaaẽ”! Achamos que era o soninho amolecendo tudo e ela foi cochilar com o Lu na varanda, quando papai Biel e mamãe Laura chegaram

Um pouco depois, a Amora e o Lu estavam lendo um livro, quando a cabecinha dela pesou e os olhos fecharam, fecharam… Depois foi o João, que adormeceu no colo da Lu, e finalmente a Miris, que foi passear com o Lu e voltou sonhando.

E nó aproveitamos pra tirar também uma merecida soneca

=)

De Manhã: Néctar de carambolas do quintal; salada de frutas orgânicas (mamão, laranja e carambolas do quintal, bananas do arco-íris); tapioca.

Amorço: Pão de aipim do Itamar com farinha integral, manjericão do canteiro, amendoim e linhaça; torta de abobrinha orgânica com flocos de milho, alho, gergelim torrado e salsinha; feijão fradinho com louro e pimentão da Nilta.

Lanchinho: Bananilta; carambola, mamão; pão de aipim.

Receitas de hoje

Néctar de carambolas orgânicas: Junte as carambolas debaixo de uma caramboleira, limpe as partes que têm algum bichinho, pique-as, coloque numa leiteira e esmague bem todos pedaços, pra soltarem bem o sumo. Depois passe num voal, aperte bastante, pra extrair todo o néctar.

Tapioca: Junte uma medida de água pra o dobro de polvilho doce ou azedo. Acrescente sal marinho a gosto e misture bem. Quando estiver homogêneo, sabe-se que está no ponto certo se, pressionando um punhado da massa nas mãos, ela vira uma bola que não esfarela muita fácil e nem derrete. Se esfarelar muito fácil acrescente um pouco de água, se derreter, falta um pouco de polvilho.

Passe a massa numa peneira de furos não muito miúdos, direto na frigideira (para os mais experientes), ou num pote onde depois possa retirar suavemente e espalhar na frigideira uma camada mais ou menos da altura de um dedo mínimo. Espere soltar do fundo e corar levemente em baixo, vire com o auxílio de uma espátula, core o outro lado e separe em um lugar em que a tapioca fique de pé, pois se abafar o fundo ela vai ficar colenta, em vez de crocante. Recehie com o que mais gostar!

Torta de abobrinha orgânica: Conheça alguém que planta abobrinhas e ofereça algo em troca de uma. Rale a abobrinha. Misture com umas folhas de manjericão fresco, uns três dentes de alho amassados, farinha de milho em flocos até formar uma massa mais consistente, sal marinho a gosto.

Unte um tabuleiro com bastante azeite. Espalhe a massa no tabuleiro, cubra com fios de azeite e gergelim. Leve ao forno médio/alto por aproximadamente 20-30 min.

Pão de aipim do Itamar: Vá no Itamar e peça a ele dois pés de aipim. Cozinhe uma panela cheia, coma o quanto quiser, mas lembre-se de separar ½ kg de aipim e ½ litro da água de cozimento pro pão. Amasse os aipins, tirando o fio do meio. Junte ½ kg de farinha de trigo integral, 3 colheres de sopa de farinha de amendoim, 4 colheres rasas de sopa de linhaça. Misture tudo.

Em um copo, dilua 50g de fermento fresco na água morna de cozimento do aipim. Misture na massa. Amasse bastante e acrescente mais um copo da água do aipim. Acrescente sal marinho e azeite a gosto. Continue amassando, abra a massa, bata com força, soque, misture de novo, até parar de colar nas mãos. Se a massa estiver muito dura, coloque mais água de aipim. Se estiver muito mole, coloque mais farinha.

Depois de muito bater e amassar, unte um tabuleiro com algum óleo e farinha, modele a massa como preferir, cubra com um pano e deixe descansar em local aquecido por, pelo menos, uns 40 min. Depois aqueça o forno alto, coloque o pão e depois de 30 min levante a beiradinha com um garfo. Se estiver dourado por baixo, está pronto!

Viveiro – 14 de dezembro de 2012

Crianças:

  • João
  • Luar

Cuidadores:

  • Lucas
  • Miris

A Julie sugeriu que mudássemos a forma dela sair.

Antes, pra evitar a tristeza da despedida, combinávamos pra Julie sair de fininho enquanto o
João estivesse distraído.

Dessa vez, ela preferiu se despedir, mesmo que ele abrisse um berreiro.

E assim foi. Ele chorou bastante, e não queria saber de mais nada. Depois de um
tempo, se acalmou e foi brincar com a Miris :)

Tomaram banho de mangueira, brincaram de passar água pra lá e pra cá em garrafas
e potinhos, carrinho, desenhar…

Desenhei uma mamadeira, a Miris viu e foi correndo pegar a mamadeira de água.
Eles dividiram a única que tinha muito bem, dessa vez.

A Luar e eu desenhamos várias frutas, e brincamos de pegar as frutas e dar pra
eles paparem. Desenhamos também uma pedra, uma banana verde e um tomate verde e
ensinando eles que isso não pode comer :)

Lemos juntos alguns livros, e eles mesmos pegaram outros pra folhear.

Comeram tapioca pouco depois do João chegar; uma banana durante o dia; e pro
almoço, aipim, arroz e couve. O João não gostou muito da couve, mas comeu bem.

Viveiro – 6 de dezembro de 2012

Hoje tivemos um viveiro de improviso no Ficabem, enquanto o coletivo fazia um mutirão de busca de sítios e pousadas grandes pra alugar na região.

No início, eram João, Maitê e Miris, eu, o Pedro e a Julie.

Eles brincaram com o gatinho, se refrescaram na piscina-bacia, e na casinha-minhocão.

Como o João ficou muito mãezento e a Julie estava ocupada arrumando a mudança, ficaram só as meninas.

Elas brincaram de desenhar no papel, e depois a Miris descobriu que os açaís no chão perto do rio serviam pra pintar a parede… a Maitê aprendeu com a amiga e as duas fizeram arte na parede do Ficabem!

A Miris achou a Maitê muito saborosa e a mordeu uma vez no braço e uma nas costas, deixando dessa última vez uma manchona vermelha feia. Ai ai ai :|

Durante o dia, elas beliscaram banana. No almoço, foi feijão branco com batata, farinha de mandioca, aveia e salsinha, com uma salada de cebola crua, vagem e cebolinha verde. Comeram bem!

Depois que o Gabriel e o Edu voltaram da missão deles, elas tomaram uma bela ducha no chuveiro da sauna e foram brincar dentro da brasília (“bi-bi”) do Gabriel.

Viveiro, 9 de novembro de 2012

Local: Sítio do Arco-íris

Biel, Iaia, Tetê, Mimi e Janjão

 

O dia começou na Benfica. É verdade que, lá, todo mundo fica. Havíamos dormido no FicaBem e a manhã começou com uma vitamina de laranja, banana e aveia de lamber os beiços, feita pelo Pedro. Chegaram Luar e Miris e algum tempo depois, Julie e João, e partimos pela trilha que leva ao Sítio do Arco-íris.

Julie ficou comigo mais ou menos uma hora durante a manhã, para que Biel pudesse passar no mercado e trazer coisinhas apetitosas para incrementarmos o almoço.

Enquanto ele saiu, fomos à caça das jabuticabas do vizinho. Qual não foi nossa surpresa quando vimos que exatamente nesta última noite havia dado uma ventania que derrubou todas as jabus – o chão estava preto e com cheiro de vinho. Ainda deu pra catar uma aqui, outra acolá, mas a maioria já estava habitada por bichinhos da terra. A parte boa foi que deu pra tirar várias fotos das crianças explorando pelo sítio com a Praktica, câmera que a Luar me emprestou. (O primeiro filme já acabou, que ansiedade pra revelar e ver se deu certo!!!!!!).

Voltamos da jabu para a garagem, onde na sexta passada já haviamos montado com tapetinho e brinquedos – já estava começando a chuviscar. Dentro da garagem as crianças mexeram mais com o rastelo, ou fuçando nas rodas da bicicleta ou entrando debaixo da prancheta, ou subindo no sofá pra agarrar a gatinha que dormia em cima, ou tentando fugir pelo portão, do que realmente dando muita moral pros brinquedinhos no cesto. O destaque maior foi pra borboleta de pilha, que acende luz e toca musiquinha e deve ser o único brinquedo de pilha existente aqui (e chato pacas). Rolaram, como sempre, alguns atritos entre os bebês na hora de ceder a borboleta pro próximo poder brincar, e conversamos (eu e Julie)  sobre como seria melhor deixarmos sempre eles se resolverem entre si nessas questões que, afinal de contas, dizem respeito somente a eles mesmo. A nossa presença observando a negociação deles deveria ser para intervir em caso de mordida ou se alguém precisar ser consolado de alguma forma… enfim, acho que esse é um ponto que temos que pensar e vivenciar mais!

(Vamos ler sobre  Comunicação Não-violenta? )

O João logo quis dar um cochilo matinal, e bem na hora que ele tinha acabado de pegar no sono, Gabriel chegou com as compras. Fui fazer o almoço com Maitê no sling, que já estava dando sinais de sono, e ela dormiu ali mesmo, penduradinha. Na hora de servir o almoço, estavam acordados o João e a Miris.

O cardápio:

  • arroz integral com trigo em grãos, cevada e lentinha
  • purê de batata inglesa com cenoura
  • farofa de mandioca com repolho e maçã
  • salada crua de abobrinha ralada com tomatinhos cereja.
  • tudo sem sal, temperado com um pouquinho de shoyu Daimaru e outros condimentos (oregano, tomilho,

Como eles comeram!!!! A Miris comeu sozinha, enfiando colher e/ou dedos no purê, catando as abobrinhas, pegando as bolinhas de farofa. O João comeu no meu colo, e arrasou no arroz e na farofa, não curtiu o purê e tentou algumas vezes a abobrinha,  mas também deixou pra lá. Acabaram os pratos deles, e ainda queriam mais! botei mais arroz num pratinho no meio deles e cada um com uma colher. E foi assim:

Depois do rango, chegaram Julie, Luar e Daniel, e nós ainda esticamos numa conversa pela tarde porque a Mimi pegou no sono…

Foi uma delícia! :)

Viveiro, 1 de novembro de 2012

Lua cheia

Local: Casulo da vovó

Cuidados de Luar e Lucas

A turminha da enxada!

A turminha da enxada!

Hoje o dia estava nublado e quente. Vieram o João, a Maitê e a Miris. Dividimos um café da manhã gostoso e fomos brincar na água e na terra. A adaptação foi fácil, até o João, que costuma chorar bastante, rapidinho se distraiu com um  chapati e ficou tranquilo.

Apesar disso, os três estavam mais sensíveis que de costume, talvez por causa dos dentinhos nascendo.

Chegaram a Sabrina e a Tábata, de 10 e 7 anos, pra ajudar a cuidar dos pequenos. Durante a brincadeira de hortinha, todos se divertiram com as sementes de açaí e o João foi o que mais gostou de ajudar a capinar. Ele queria o tempo todos segurar a enxada!

O dia também foi marcado pela formação de uma quadrilha especializada em fuga! A Miris passava por baixo do portão, o João tirava o ferrolho da trava, a Maitê, toda parrudinha, empurrava, e estavam livres! Nós os capturamos em flagrante e eles voltaram, umas três vezes!

Vou pegar só um pouquinho...

Vou pegar só um pouquinho…

Então apelamos pro banho de mangueira, pra ficarem bem limpinhos, e entramos pra ler o livrinho do leão e esperar o amorço. O João dormiu antes do almoço, a Maitê e a Miris comeram com suas próprias mãos, espremeram limão no prato, serviram creme verde, espalharam comida por toda a varanda! Depois lavamos as duas mocinhas no tanque e elas dormiram com os papais.

Qué xprimentá, amiga?

Qué xprimentá, amiga?

Lanche: chapati de trigo, maizena, milho, salsinha, azeite e shoyu, com pastinha de tahine e missô; banana-figo assada; batata assada; laranja

Amorço: Arroz integral com trigo em grão, aveia em grão, salsinha e cebola; creme verde de couve, tanchagem, nirá, pêssegos, hortelã, todos colhidos na horta, batidos com alho cru; cozido de inhame, batata inglesa, batata-doce, misturado com salsinha, cebola, tomate, tomilho e orégano frescos, crus e orgânicos; gergelim torrado por cima, azeite, shoyu e limão à vontade!

Mutirão – 31 de outubro de 2012

Local: Instituto Pindorama

Presentes:

  • Gabriel
  • Laura
  • Maitê
  • Pedro
  • Benny

Local: Oficina-Escola Mãos de Luz

Presentes:

  • João
  • Julie
  • Miris
  • Luar
  • Lucas

Hoje o mutirão foi de aprendizado.

Tomamos café da manhã juntos, no FicaBem: jabuticabas, néctar de jabuticaba, açaí com banana e limão, tudo orgânico.

Depois dividimos em dois grupos, de acordo com o interesse de cada um, e alguns foram participar do mutirão de montagem das barracas de bambu da Feira da Terra, no Instituto Pindorama, enquanto outros participaram do Encontro das Erveiras, na Oficina-Escola Mãos de Luz.

Como eu estava no segundo grupo, posso contar como foi.

As erveiras são senhoras que se encontram uma vez por mês pra trocar mudas, fazer pomadas medicinais, estudar… Alguns agricultores da região também participam do grupo, contribuem com espécies e ajudam a preparar as “poções”.

Dessa vez fizemos diversas tinturas com as plantas que cada uma levou: tanchagem, arnica, ipê roxo, sangue de dragão, alecrim, alfazema, mastruz, e mais algumas que eu posso ter esquecido.

O método é simples: colocar a parte da planta a ser usada (flores, folhas, casca, raíz) dentro de um frasco escuro, imersa em álcool. Deixar durante duas semanas, agitando diariamente. Depois é só coar, envasar novamente e está pronta pra usar!

Trouxemos algumas mudas e cascas pra casa e também nos deram a famosa “pomada milagrosa”, uma mistura de algumas dezenas de ingredientes naturais poderosos, preparada pelas erveiras.

Alguém conta como foi o mutirão do bambu, no Pindorama?

=P