Mutirão na Grota Funda, 3 de janeiro de 2013

Esse texto de um mutirão antigo estava perdido numa wiki que não usamos mais. Como voltamos a cultivar a Grota Funda, estou tirando ele do baú 🙂

  • Anisha
  • Bennie
  • Camila
  • Jaca
  • Luar
  • Lucas
  • Miris

Nos encontramos pouco depois das 8hs no FicaBem. Combinamos de arrumar a casinha abandonada na Grota Funda e aproveitar o dia por lá. Sabendo que uma das maiores dificuldades seriam os carrapatos, passamos uma mistura de citronela pelo corpo. Levamos também um desinfetante de cascas de cítricos (feito em Croatã!), uma rede, café cor-de-roça, batatas baroas da Nilta e aipim do Itamar.

Nem bem chegamos e todos estavam maravilhados com a beleza do lugar. Foi uma trilha muito agradável, margeando o rio Bonito, mas quando pisamos na Grota, que os carrapatos começaram a nos subir pelas pernas e nos deparamos com o Beija-Flor (pangarezinho de lá, lembram?) deitado, morto, na grama, é que os ânimos sofreram um abalo e pelos olhares percebíamos que todos pensavam a mesma coisa: “que enrascada dos diabos!”

As crianças queriam andar pela grama, mas não era segura por causa dos carrapatos. O Beija-Flor já estava quase sem vísceras, comido pelos urubus. E agora? E agora? Vamos descer com as crianças e ir embora? Que nada! Vão as mamães com as crianças prum poço na beira do rio, enquanto os meninos dão um jeito na casinha, que está muito suja, cheia de entulhos deixados pelos últimos moradores, além dos carrapatos e cocôs de cavalo.

No rio foi ótimo, a Anisha cochilou, a Miris brincou de nadar, a Camila alongou, a Luar tirou uns matinhos, até que começaram uns pingos de chuva e o Lucas apareceu chamando pra ir na casa, disse que já estava bem aconchegante. E não é que tava mesmo? Varreram, passaram pano, acenderam o fogão a lenha pra fazer um café… E os entulhos estavam todos no quintal, esperando seus destinos: fogueira, reciclagem, limpeza.

Aproveitamos o fogo pra cozinhar os tubérculos e continuamos limpando e organizando tudo. Acendemos fogueira, queimamos folhas secas e panos, separamos uns cobertores pra lavar no rio, na próxima visita. Tomamos mais banho de rio, comemos, tomamos alguns cafés e a Miris dormiu no quarto limpinho depois de muito batucar. Ah, e começamos uma receitinha de suco de carrapato anti-carrapatos, que vimos no manual de agro-homeopatia de Viçosa. Ingredientes não faltam por lá!

O Frans apareceu e gostou das mudanças. Disse que podemos pintar a casa e que tem um caseiro que pode cavar uma cova pro Beija-Flor. Mas sabe? Depois de observar um bocado o bichano com seus dentes enormes, inertes, a repulsão inicial deu lugar a um forte sentimento de que é importante conviver com a morte, que ela permeia e completa a vida, e merece ser bela e festiva como a chegada de um filhote. Não fosse a chuva, teríamos feito um alegre rito fúnebre pro pangaré!

Arrumamos umas lonas, protegemos as coisas e as crianças e voltamos pela trilha, cantando, cantando na chuva, pensando em quando será a próxima visita!

Próxima Visita

Coisas pra levar

  • Ferramentas – Martelo, pregos, facão,
  • Tinta pra parede, rolos, pincéis

Coisas pra fazer

  • Pintar a casa por fora
  • Deixar os cobertores e as roupas lavando na correnteza do rio
  • Consertar algumas goteiras
  • Ver o encanamento e se vale a pena puxar água pra casa

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