Apresentação de Nico – Auroville e Casas na Árvore

Ontem, dia 29 de outubro, tivemos uma apresentação do Nico, sobre sua experiência em Auroville e sobre uma casa na árvore que construiu no Vale do Capão, na Bahia.

14 pessoas escreveram no livro de assinaturas da apresentação, que aconteceu no Ficabem, o restaurante vegetariano e espaço cultural da Benfica.

Confira a galeria de fotos da apresentação alguns slides no final do post.

Auroville

Auroville é uma imensa cidade experimental localizada no sul da Índia. Fundada em 1968, seu propósito inicial é “concretizar a união humana”.

A ideia de Auroville foi concebida por Sri Aurobindo — um guru indiano — e Mirra Alfassa — conhecida como “The Mother”, e planejada por Roger Anger, um arquiteto francês. Foi feito um chamado de voluntários e a cidade foi construída colaborativamente.

Nico morou lá de 2004 a 2011, em diversas partes da cidade — que na verdade é fragmentada em dezenas de regiões interconectadas por trilhas e estradas.

Ele nos contou a história do planejamento e da construção inicial da cidade, os ideais iniciais, a Carta de Auroville, o controverso Matrimandir, um edifício em forma de esfera, folheado a ouro, e que guarda dentro de si uma bola de cristal de 70cm de diâmetro.

Nos contou sobre os aspectos bons e não tão bons assim de Auroville — a ausência de polícia e religião organizada, a “moeda social” virtual que é a moeda corrente de toda Auroville, a crescente desigualdade entre os moradores, a quase ausência de crimes, o fato de que muitas pessoas vêm de fora pra trabalhar em casas e estabelecimentos da cidade, etc.

Nico viu os valores ecológicos de Auroville se desvirtuarem com o tempo: abundância de carros movidos a combustível, construção de casas e prédios de luxo utilizando arquitetura e matéria-prima “tradicionais”, destruição de florestas para construção de estradas, etc.

Junto com outros jovens de Auroville, organizou e participou de diversos protestos pafícicos e hacks em oposição a essa situação.

Nico nos contou sobre uma estrada em particular — a que passaria no meio do Parque Mahakali, onde hoje se encontra o Centro de Jovens. Ela serviria para atender um grande prédio recém-construído nas proximidades.

Ele bloqueou a construção da estrada de diversas maneiras — com monumentos de pedra, plantando árvores cuja derrubada é proibida por lei, literalmente enfiando um carro no meio do caminho…

Também colaborou para a construção e decoração de uma trilha alternativa por dentro do parque — uma que comportasse bicicletas e animais, mas não carros.

Centro de Jovens – Youth Centre

Entrada do Centro de Jovens – Crédito: Auroville Wiki

Nico atuou como coordenador do Centro de Jovens (Youth Centre) de Auroville, uma minicidade fundada e mantida por jovens.

Segundo a Auroville Wiki, o Centro de Jovens — ou Peaceful City — é “um lugar onde jovens de todas as idades e origens podem se reunir coletiva e construtivamente pra relaxar, trabalhar, aprender e brincar em um ambiente seguro e voltado à natureza, longe das limitações da família, escola, e a sociedade estruturada em geral.”

Ele nos contou sobre sua experiência nesse ambiente de convivência coletiva, que era inicialmente uma resposta à burocracia e aos conflitos cada vez maiores em Auroville. Nesse contexto, o Centro de Jovens surgiu como um espaço aberto e experimental.

Casas na árvore

A casa que Nico construiu no Vale do Capão
Créditos: Nico

Ao longo dos anos, várias casas na árvore foram construídas no Centro de Jovens colaborativamente.

Em 2011, Nico veio para o Brasil, e com o conhecimento adquirido em Auroville construiu profissionalmente uma casa na árvore no Vale do Capão, Bahia.

Arquiteto de formação, Nico se distanciou da arquitetura tradicional, com concreto e tijolos, tendo interesse por maneiras mais ecológicas de construção — baseado nas características e necessidades do local.

Ele construiu a casa durante um período intermitente de cerca de 9 meses — no início sozinho, no final com a ajuda de voluntários e um amigo também ex-morador do Centro de Jovens.

A casa possui três andares, banheiro, caixa d’água e painel solar — que alimenta com energia um laptop, a bomba de água, luzes e alguns outros aparelhos.

Nico construiu a casa respeitando a árvore — nenhum prego foi enfiado nela, apenas na madeira de construção.

Ele nos contou, através de fotos, o processo de construção e as lições aprendidas — fazer casas mais leves, evitar materiais retilínios, ângulos retos e medidas precisas, usar as melhores ferramentas possíveis, ter alguém que saiba identificar árvores, entre outras.

 

 

Galeria de Fotos

Créditos das imagens:

  • Fotos da apresentação: Coletivo Vagalumis
  • Slides da apresentação: Nico
  • Foto da entrada do Centro de Jovens: Auroville Wiki

25 de outubro de 2012

Local: Casulo da Vovó e Croatã

Cuidados de Julie e Luar,

lua crescente

Hoje vieram a Miris e o João. Como o Lucas substituiu a Julie na segunda, hoje eu e a Julie é que bagunçamos com a molecada!

Estava um dia quente, então aproveitamos pra brincar com água e lama. Depois de um super café da manhã, peneiramos um bocado de barro pra esculpir e, como não podia deixar de ser, aproveitamos pra fazer “aquele embelezamento” -espalhamos lama pelo nosso corpo e também nas crianças. Ficaram lindas!

Quando a lama chama...

Quando ela chama…

...tudo lama!

…tudo lama!

Joga o seu 'balabala' amigo!

Joga o seu ‘balabala’ amigo!

Brincamos de malabares, tomamos um lanche e fomos cuidar da horta.

Capinamos e afofamos a terra pra fazer um viveiro, onde vamos jogar as sementes de açaí e outras. Até o João e a Miris se desentenderem por causa de uma ferramenta, que os dois queriam usar ao mesmo tempo e não aceitavam revezar, então acabamos com essa brincadeira e fomos tomar uma ducha pra refrescar os ânimos, lavar a lama e começar o amorço.

Eu e a Julie cozinhamos na fogueira, enquanto os dois dormiam. O João acordou a tempo de almoçar conosco, mas a Miris dormiu de 12 às 14hs!

Os dois interagiram muito bem. De manhã, deram-se as mãos e andaram juntos por alguns minutos. O João beijou a Miris e a Miris beijou o João, tudo espontaneamente! Quando a Miris cansou da brincadeira, o João chorou, porque queria mais…

Também houveram alguns desentendimentos, principalmente pela dificuldade em compartilhar alguns brinquedos, como o pincel e a enxada. Algumas vezes a Miris aceita revezar, e entrega pacificamente o objeto. Outras vezes se recusa a dar e chora se tentamos tirar. E o João ainda demonstra dificuldade em compartilhar, não costuma ceder os objetos e chora por longo tempo se os retiramos.

O João mordeu a Miris duas vezes.

Tentando uma fuga!

Tentando uma fuga!

Brincadeira na terra

Brincadeiras na terra

.

Café da manhã: banana e pão de quê (abóbora, couve, salsa, ervilha, batata)

Lanche: açaí com banana

Almoço: feijão, beterraba, inhame, batata doce, couve e salada de rúcula, salsa, cebolinha, manjericão, hortelã, tomate, abacate e limão, tudo orgânico!

Todos comeram bem

mmmmm

=)

.

Mutirão – 24 de outubro de 2012

 

  • Local: Casulo da Vovó (casa da Rosana)
  • Presentes:
    • Nenéns
      • João
      • Miris
      • Maitê
    • Adultos
      • Daniel
      • Gabriel
      • Julie
      • Laura
      • Luar
      • Lucas
      • Pedro Papaco

Começamos o mutirão por volta de 10:00h, depois do café de pão-de-quê (inhame, arroz, couve, salsinha) e vitamina (mamão, limão, banana, laranja, abacate, folhas do quintal).

O plano era conversar como nos organizaríamos para montar uma ecovila. A possibilidade disso acontecer é grande, então queríamos ver juntos quais seriam as ideias pra esse empreendimento.

Mas… como ontem os vizinhos presentearam a gente com três cachos enormes de juçara, mudamos pra mutirão de fazer açaí!

Na noite anterior, tiramos as frutinhas maduras do cacho e deixamos pernoitar de molho.

Durante o mutirão, pilamos o açaí e passamos em uma peneira, pra tirar a polpa.

As crianças, o chão, as mãos, tudo ficou roxo, lindo!

Engarrafamos toda a polpa pra depois congelá-la, porque ninguém vai dar conta de tanto açaí antes que estrague…

Tomamos o açaí com mamão, lima, limão, tudo orgânico, e almoçamos juntos — ervilha, batata e abóbora orgânicas, couve da horta e um empadão de aipim com adivinha o quê? AÇAÍ, claro!

Extraímos sementinhas de urucum de um pé que tem no sítio Arco-Íris e uma parte vamos deixar de molho em óleo de palma, pra fazer tinta pra pele, e outra parte vamos pilar e fazer pó pra usar na comida!

Viveiro – 18 de outubro de 2012

Local: Casulo da Vovó

Acompanhantes: Luar e Lucas

Hoje vieram o João e a Miris. Passaram o dia bem-humorados, com exceção da primeira hora e meia depois que a Julie saiu, quando o João pendurou o beiço e chorou sem parar, não se acalmando nem no colo ou na rede. Superada a dificuldade inicial, brincamos na horta, o João se divertiu jogando terra para o alto, enquanto a Miris enchia os vasinhos das plantas. Tocamos no violão a música “a minhoca antropomorfizada”, compartilhamos as peças de um jogo de encaixar, desenhamos com giz de cera, passeamos no larguinho da benfica, brincamos de pagar, os dois estavam muito felizes. Cochilaram depois do almoço por uma hora.

Lanche: Pão de quê de inhame com couve e banana.

Amorço: Arroz com espinafre do Pedro e repolho da horta, ervilha com salsinha da horta, farofa de mandioca e milho.

Os dois lancharam e almoçaram bem.

Mutirão – 17 de outubro de 2012

  • Local: Sítio Arco-íris
  • Presentes:
    • Adultos:
      • Gabriel
      • Julie
      • Laura
      • Luar
      • Lucas
    • Nenéns:
      • João da Terra
      • Maitê
      • Miris

Começamos o mutirão por volta de 6:20h.

Limpamos o bananal: tiramos (muitas) folhas de bananeira secas do chão e as amontoamos, pra usar futuramente como cobertura pra terra capinada e pra composteira. Isso também vai permitir que outras plantas cresçam junto com as bananas.

Também arrancamos as folhas velhas das bananeiras, pra dar mais força pras folhas verdes e pro crescimento das bananas.

 

Tomamos café-da-manhã às 8:30h. No elenco, vitamina de mamao-laranja-banana-menta-manjericão-salsinha-amêndoas-sementesdegirassol e pão integral de cebola e grãos. Voltamos pra labuta por volta de 9:10h.

Fomos verificar o atalho entre a Benfica e o sítio, pra reabrir a trilha e perguntar a quem mora no caminho se se importa que passemos vez ou outra por ali. Descobrimos que o caminho está ótimo (o pasto tem gado; o mato está baixo) e a única casa no caminho é de conhecidos. Uhul 🙂

      

Viveiro – 11 de outubro de 2012

Local: Casulo da Vovó

Cuidados de Luar e Lucas

Lua minguante

Três filhotinhos...

Três filhotinhos…

Estava um dia quente, de sol. A Maitê e a Miris brincaram com água, a Sabrina e o Luquinhas, de 9 e 10 anos, apareceram pra ajudar e brincar.

Os grandes e os pequenos

Os grandes e os pequenos

Encheram a bacia e levaram brinquedos pras duas. O João chorou um pouco quando seu pai saiu, mas balançou na rede com o Lucas e logo ficou todo contente.

 

brincar cansa, tá?

Brincar cansa, tá?


A Maitê e a Miris brincaram na lama, o João se apegou a um pianinho de corda, que carregou pra todos os lados!

Olha a nossa laminha!

Olha a nossa laminha!

A Miris tocou gaita e dançou capoeira, a Maitê experimentou muitos óculos e o João cochilou na rede, abraçado com o pianinho.

 

 

Os três ajudaram a capinar o mato da horta. Conseguiram, com a ajuda do Lucas, dividir as peças de um jogo de encaixar.

Depois todos almoçaram bem, comeram com as mãos e com talheres em um prato coletivo.

Dois peixinhos na rede!

Dois peixinhos na rede!

 

Lanche: tapioca e bananas. Todos comeram bem.

Amorço: arroz integral com salsa, orégano, gergelim e quinoa; feijão fradinho com couve, rúcula, caruru, repolho e cebola; tomate. Todos comeram bem. Serviram-se num pratinho coletivo e fizeram a maior bagunça no chão!

Lanchamos e almoçamos na varanda!